Vender a 49 euros em Portugal e a 54 euros na Alemanha não é um capricho: é a consequência de custos logísticos diferentes, de um cenário concorrencial diferente e de taxas de IVA diferentes. O problema é que o PrestaShop não raciocina em preço por país. Raciocina em preço único, declinado por moeda e corrigido pelo IVA.
Eis o que o nativo permite realmente, onde termina, e o ponto regulamentar que a maioria das lojas ignora.
O que o nativo faz
Três mecanismos existem e combinam-se.
A moeda. Cada moeda tem uma taxa de conversão aplicada ao preço de base. Não fixa um preço em libras esterlinas: fixa uma taxa, e o PrestaShop calcula. O resultado dá preços como 43,17 libras, que ninguém mostra de propósito.
O IVA por país. As regras de impostos aplicam-se segundo o país de entrega. O preço sem impostos permanece idêntico, só o preço final varia. Um produto a 40 euros sem impostos passa a 49,20 euros em Portugal e a 47,60 na Alemanha.
A multiloja. Uma loja por país, cada uma com o seu catálogo, os seus preços e o seu domínio. É a única via nativa para fixar preços realmente diferentes, e tem um custo de gestão real.
A armadilha do preço final redondo
É o ponto que mais surpreende. Quer mostrar 49,90 euros em toda a Europa, preço psicológico clássico. Com um preço sem impostos único, é impossível: as taxas de IVA diferem, logo os preços finais diferem.
Para mostrar o mesmo preço com IVA em todo o lado, é preciso fazer variar o preço sem impostos em sentido inverso da taxa de IVA. A sua margem passa então a ser diferente de um país para o outro, o que é uma decisão comercial a tomar em consciência, não um efeito colateral a descobrir na demonstração de resultados.
O raciocínio inverso é igualmente válido: conservar a margem e aceitar preços finais não redondos. Não há uma resposta universal certa, mas há uma má prática, a de não decidir.
As quatro alavancas de diferenciação
- O preço específico por país. O PrestaShop permite associar um preço específico a um dado país. É a alavanca mais direta, mas configura-se produto a produto, o que a torna impraticável para lá de algumas dezenas de referências.
- O grupo de clientes. Um grupo por zona, com um desconto ou uma majoração global. Simples, mas pressupõe que o cliente esteja associado ao grupo certo, portanto identificado, o que exclui os visitantes não autenticados.
- O coeficiente por moeda. Em vez de uma taxa de câmbio estrita, aplicar um coeficiente comercial. Resolve o problema dos preços não redondos mas só diferencia por moeda, não por país: Portugal, a Alemanha e a Espanha ficam com a mesma tarifa.
- A multiloja. Controlo total, custo de gestão máximo. Cada alteração de catálogo tem de ser replicada, ou herdada com as precauções que isso implica.
Preços por País, Loja e MoedaUm preço justo, arredondado e rentável para cada país89,00€
O ponto regulamentar a conhecer
O regulamento europeu sobre o bloqueio geográfico injustificado enquadra esta prática desde 2018, e é regularmente mal compreendido.
O que não proíbe: propor preços diferentes consoante as versões nacionais do seu site. Continua livre da sua política tarifária por mercado.
O que proíbe: impedir um cliente de aceder a outra versão do seu site em razão da nacionalidade, do local de residência ou do país de emissão do cartão bancário, e redirecioná-lo automaticamente sem o seu acordo. Concretamente, um cliente português deve poder consultar e encomendar na sua loja alemã, nas condições alemãs, se assim o desejar, incluindo com um cartão português.
O redirecionamento automático por geolocalização deve portanto ser manuseado com cuidado: propor, sim, impor, não. Uma faixa a sugerir a versão local com uma ligação para permanecer na versão atual cumpre a condição. Um redirecionamento silencioso não cumpre.
Deteção do país e cache
Duas dificuldades técnicas acumulam-se assim que o preço depende do país.
A deteção. Antes de um cliente estar autenticado ou ter preenchido uma morada, o seu país só pode ser deduzido do endereço IP, com uma fiabilidade imperfeita e uma exatidão nula atrás de uma VPN. O preço mostrado em navegação anónima é portanto sempre uma hipótese. Deve ser corrigível por um seletor visível, e o preço definitivo só se fixa quando a morada de entrega é introduzida.
A cache. Uma página de produto em cache contém um preço. Se esse preço depende do país, é preciso ou segmentar a cache por país, o que multiplica o seu volume, ou retirar o bloco de preço da cache e carregá-lo em separado. A primeira opção é mais simples, a segunda mais económica.
Um sintoma clássico revela uma cache mal segmentada: o primeiro visitante de uma página a partir de um dado país vê o preço certo, os seguintes veem o dele.
A coerência com os canais externos
Um ponto muitas vezes descoberto tarde de mais. Se os seus preços variam por país, os seus feeds de produtos têm de variar da mesma forma. Um feed Merchant Center a anunciar 49 euros para uma página que mostra 54 desencadeia uma recusa, e recusas repetidas podem suspender a conta.
A regra é gerar um feed por país-alvo, alimentado pela mesma fonte que a montra, nunca por uma exportação congelada.
Pôr a diferenciação em prática
O módulo Preços por País, Loja e Moeda trata desta necessidade no PrestaShop 8 e 9: regras de preço por país e por moeda aplicadas em massa em vez de produto a produto, coeficiente de margem, arredondamento psicológico por moeda e coerência da apresentação entre catálogo, ficha e carrinho.