Uma box mensal não é um produto nem uma subscrição no sentido habitual: é um produto que muda todos os meses, vendido por vagas, com uma data de corte a partir da qual é tarde demais para entrar no envio em curso.
Esta mecânica de vaga é o que distingue a box de uma subscrição clássica, e é aí que estão as dificuldades de configuração.
O produto box, e o que representa
Primeira decisão: o que se vende exatamente?
A box do mês não é um produto estável de conteúdo conhecido. O cliente compra uma promessa: uma temática, uma gama de preço, um número de artigos. O conteúdo real é revelado na receção, e é muitas vezes o argumento principal.
Consequência de modelização: o produto vendido é a subscrição da box, não a box de setembro. Esta última é uma vaga de preparação, invisível para o cliente no momento da compra.
Três atributos chegam para descrever o produto vendido: a fórmula, a frequência, e o período mínimo se existir.
As vagas, e a data de corte
É o coração do modelo e a origem da maioria dos erros.
Todas as box do mesmo mês saem juntas. Isso impõe uma data de corte: a partir daí, uma inscrição nova já não entra na vaga em curso mas na seguinte.
Essa data calcula-se para trás a partir da expedição. Conte o tempo de montagem, o controlo de qualidade e a entrega ao transportador. Numa box de dimensão média, o corte fica uma a duas semanas antes do envio.
Dois pontos a tratar explicitamente.
A apresentação do corte. O cliente tem de saber antes de comprar que box vai receber. Uma contagem decrescente do tipo «inscreva-se até dia 18 para receber a box de setembro» levanta a ambiguidade e cria uma urgência legítima.
O comportamento depois do corte. O cliente que se inscreve no dia 19 recebe a box de outubro. Deve pagar de imediato ou na data da vaga seguinte? O débito na inscrição com envio diferido é mais simples de gerir, e exige ser anunciado sem ambiguidade.
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O stock por vaga
Diferença importante face a um produto clássico: o seu stock não é um número de box, é um número de lugares disponíveis na vaga em curso.
Esse número é determinado pelos seus aprovisionamentos. Se encomendou 400 unidades do produto em destaque do mês, não consegue servir 450 box.
Três regras de gestão.
O contador de lugares tem de descer na inscrição e voltar a zero em cada vaga nova, com a sua própria capacidade.
As renovações têm prioridade sobre as inscrições novas. Um assinante em curso tem de ser servido antes de um lugar ser vendido a um novo. Isso pressupõe reservar a capacidade correspondente aos assinantes ativos antes de abrir o resto à venda.
A lista de espera quando a vaga está completa. Em vez de mostrar um produto indisponível, proponha a inscrição para a vaga seguinte. É o que fazem as box que constroem uma raridade, e evita perder um pedido.
O conteúdo da vaga
Ponto de organização com consequências técnicas.
Tem de saber, para cada vaga, que produtos a compõem. Duas razões: a preparação em armazém, e a rastreabilidade em caso de recolha ou de reclamação.
Isso pressupõe uma entidade distinta do produto vendido: a vaga, com a sua data de expedição, a sua capacidade, e a lista dos componentes com as quantidades.
Dois usos secundários justificam sozinhos este esforço. A comunicação depois do envio: revelar o conteúdo por e-mail no momento da entrega é um momento forte da relação. E o histórico do cliente: um assinante tem de poder consultar o que recebeu nos meses anteriores, o que serve também para evitar repetições.
As variantes de fórmula
A maioria das box propõe várias fórmulas, e elas combinam-se mal se não forem pensadas em conjunto.
Três eixos de variação, a limitar.
O tamanho: box descoberta, box completa. Multiplica as vagas a preparar.
A frequência: mensal, bimestral. Atenção, uma box bimestral não se alinha naturalmente com as vagas mensais e obriga a definir em que vagas cai.
O período mínimo: sem compromisso, três meses, um ano. É o eixo mais rentável, com uma tarifa degressiva, e o menos custoso em gestão.
Um conselho de arranque: comece com um único tamanho e três períodos. Acrescenta os tamanhos quando o volume o justificar.
O que parte em produção
Quatro situações a prever antes de as encontrar.
A mudança de morada a meio da vaga. Um assinante que muda de casa entre o débito e a expedição tem de poder alterar a morada. Fixe uma data limite, alinhada com o início da preparação.
O cancelamento depois do débito. O cliente pagou a vaga em curso, recebe-a, e a subscrição termina a seguir. Qualquer outra regra produz litígios.
A falha de pagamento a meio da vaga. Se o débito falha três dias antes do corte, o assinante deve ser servido? A regra prudente: um lugar reservado durante o período de nova tentativa, libertado se o pagamento não for concluído antes do corte.
A oferta de subscrição. Alguém oferece três meses a outra pessoa. É um caso frequente na época festiva, e pressupõe dissociar quem paga de quem recebe, o que não é nativo.
Os indicadores da box
Três medidas próprias deste modelo, para além dos indicadores clássicos de subscrição.
A taxa de enchimento por vaga, lugares vendidos sobre a capacidade. Orienta os aprovisionamentos do mês seguinte.
A taxa de cancelamento depois da primeira box. É o número mais revelador: um assinante que sai depois de receber uma única box assinala um desvio entre a promessa e o conteúdo.
O custo de conteúdo por box, comparado com o preço de venda e com a margem que definiu. Neste modelo, a tentação de sobrecarregar a box para impressionar é forte, e paga-se ao fim de três meses.
O módulo Encomendas Recorrentes para PrestaShop gere esta mecânica no PrestaShop 8 e 9: encomendas geradas automaticamente no vencimento, gestão das vagas com data de corte e capacidade, prioridade das renovações sobre os lugares novos e alteração da morada pelo cliente até à preparação.